Crônica sobre Alícia - Parte 1

Postado por Tatiana Rodrigues | terça-feira, janeiro 20, 2009 | 1 comentários »

Há quem diz que as novidades e os novos amores acontecem quando menos se espera. E foi assim, numa jogada certeira do destino que Alícia encontrou o amor.

Em tempos modernos, que não precisa necessariamente estar no metrô ou passeando por um parque e olhares se cruzarem para haver o amor à primeira vista, a internet antecipa o encontro, o amor e principalmente a vista. É entrar em um site de relacionamentos e 999 opções (dependendo do amigo visitado) aparecem e é quando alguém chama a atenção.

Em uma monótona madrugada, a protagonista dessa história visitava o site de um amigo, quando uma foto a fez esquecer até o motivo pelo qual entrara ali. Era como se visse alguém por quem esperava sem saber, que desejava sem nunca antes ter o avistado e num impulso se pôs a investigar melhor quem era o culpado pelas palpitações que sentia.

Ela entrou em sua página inicial e a partir desse momento Alicia passou a ter 3 certezas: A primeira - Ele se chamava Luca. A segunda - ele era dono do sorriso mais espontâneo e do olhar mais intrigante e encantador que já tinha visto. E terceiro - não havia mais nada que desejava mais na vida além de conhece-lo.


Continua...

A intensidade e o tempo

Postado por Tatiana Rodrigues | terça-feira, dezembro 30, 2008 | 2 comentários »

Ontem em mais uma das proveitosas conversas que costumo ter com minha amiga Aninha relembramos passagens de nossas vidas que muito nos marcaram e analisamos o efeito que tais lembranças têm sobre nós hoje. Voltamos dois, três anos e é engraçado pensar em cenas que tanto afetaram a minha vida e principalmente tiveram grande importância na formação da pessoa que sou hoje (pro bem ou pro mal) e ver que tudo é visto em uma proporção tão pequena. As imagens e diálogos que eram tão presentes em minha mente desde o momento em que aconteciam até me pôr a deitar no travesseiro, neste instante são tão remotas que preciso da minha fiel confidente para me ajudar a relembrar. Por mais que eu tente não consigo rever aquelas cenas na minha memória e sentir as emoções que senti quando aconteceram, o que em certo modo é bom. Mas até onde as memórias são fiéis à realidade? Em um momento acredito que lembranças e fantasias se misturam. Será mesmo que a intensidade supera o tempo? Ou será que o tempo muda as visões, os sentimentos e o que era intenso se torna superficial? Acho que não chegamos ao ponto de respondermos todas as interrogações, mas o fato é que é muito bom ter um porto seguro que guarda cada detalhe, que protege e está sempre junto nas aventuras que um dia se tornarão vagas, intensas, doces ou amargas lembranças.

Lamparina

Postado por Tatiana Rodrigues | domingo, dezembro 21, 2008 | 0 comentários »

"Todo sopro que apaga uma chama reacende o que for pra ficar"
Fernando Anitelii

Não sei se o sopro foi muito forte ou se a chama que era mais fraca do que eu desejava. O fato é que não sei exatamente o que se apagou e, principalmente, o que veio pra ficar. O que foi reaceso não se mostra tão às claras assim. Aguardo, não pacientemente, que a lamparina, suficientemente forte, me aqueça e me convença que o que achei que me aqueceria, não passava de fumaça.

No Joy

Postado por Tatiana Rodrigues | sexta-feira, dezembro 19, 2008 | | 3 comentários »


Um dos melhores lançamentos do ano
O cara mais gato do rock (vide foto)
Meu compositor favorito
A indiezinha mais sortuda
Little Joy está a caminho
30 de janeiro em BH e eu estarei no Rio.

Onde está minha sorte?

Evaporou..



"Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr,
Corre o que custar..."

Rascunhos da madrugada

Postado por Tatiana Rodrigues | sábado, dezembro 13, 2008 | 1 comentários »

vejo mais um ano se despedindo sem lágrimas e nem velas
Escrevo meus textos que madrugam e me fazem pernoitar
É o calendário chegando mais uma vez ao seu fim, trazendo consigo minhas férias
e minhas expectativas expressadas em palavras, numa tela LCD.
É a certeza do incerto que virá e a dúvida em relação ao que não é mais.
Tempo de exclamações ao relembrar o que foi bom
Tempo de reticências ao pensar no que poderia ter sido feito
Tempo de ponto final ao que não mereceria nem uma vírgula
Tempo de interrogações que se fazem acumular.


Tempo de sonhar!
Hora de dormir...
(zzzz)

Álbum de nostalgias

Postado por Tatiana Rodrigues | segunda-feira, setembro 08, 2008 | 6 comentários »

Sinto saudades daquilo que não vivi, das pessoas que não conheci e dos momentos de sorrisos que me fizeram esquecer das lágrimas que insistiam em serem derramadas em minhas tristes faces. Sinto as emoções que me fizeram perder o fôlego em algum momento da minha vida, voltar em formato de nostalgia. Alimento-me disso e assim vou nessa caminhada sem destino certo. Como já disse Paulo Bonfim, “Passamos uma época de nossas vidas colecionando emoções, e outra, colecionando saudades”, lembrando dessa frase me questiono se tão nova já não me permito sentir tais “friozinhos na barriga” e me limito a apenas ser uma colecionadora de melancolias. Num ímpeto levanto-me da cama, aquecida pelo meu edredom cor-de-rosa e decido que há muito o que viver e não será olhando um álbum imaginário de recordações que irei completá-lo. Certa vez escutei uma frase, não sei bem onde, se foi em alguma música ou em conversas de ponto de ônibus, que era mais ou menos assim: “Amanhã é o primeiro dia do resto da minha vida” e hoje, nesse dia nublado, sem expectativa de luz e calor, essa frase me perturba em um ritmo descompassado. Irei fazer do pouco que me resta, uma história em cinza e branco ou encherei meu álbum com imagens de coloridos infinitos e lembranças ainda mais felizes? A partir do instante agora me torno grande, em pensamentos e ações, e como Aristóteles já deixou registrado: "A grandeza não consiste em receber honras, mas merecê-las” e com honras e merecimentos meu livro se fará completo.

Ragga - Informação não tem preço

Postado por Tatiana Rodrigues | quarta-feira, setembro 03, 2008 | 2 comentários »

Uma nova maneira de fazer Jornalismo. Falar aos jovens, mudar o mundo.

A Revista Ragga foi fundada no ano de 2005, por três jovens sócios. O projeto inicial, tinha como principal foco os esportes extremos, que continua com forte influência na revista, mas com a expansão desta, outros assuntos começaram a ser abordados, principalmente comportamento e cultura radical. Atividades como Assessoria de Eventos, criação de sites de ensaios sensuais femininos, passaram a fazer parte da linha editorial. O sucesso do site despertou o interesse dos Associados Minas, que buscavam uma nova linha, a fim de atrair também o público jovem, e compraram parte da empresa, o que proporcionou a convergência de mídias. A Ragga deixa de ser apenas revista, e ganha espaços no jornal Estado de Minas, com o caderno Ragga Drops,na Rádio Guarani, na TV Alterosa, além de um site no portal Uai.


As editoras do Caderno Ragga Drops e da Revista Ragga, Thaís Pacheco e Sabrina Abreu, enfatizam a interatividade existente entre o público e a equipe. Leitores não só sugerem pautas, mas também como colaboradores, participam das edições. A seção "Quem é Ragga" é muito procurada, pois as pessoas procuram se ver, nas coberturas de festas realizadas. E aqui, segundo Sabrina, "notícia boa, também é notícia".


A Revista utiliza de uma linguagem livre, direcionada aos jovens, podem expressar opiniões, porém, não deixam de ter o compromisso com a apuração. No caderno, possuem limitações, por este, estar inserido no Estado de Minas, jornal tradicional, de linguagem padrão. Independente de que meio estejam inseridos, a Ragga mantém a ideologia inicial de "Mudar o Mundo", através da informação.


O público-alvo do caderno Ragga Drops são adolescentes de 13 a 19 anos, já a Revista Ragga abrange dos 19 aos 35 anos. A revista é independente, mas conta com anunciantes de produtos que atendem às classes média e média-alta, seus principais leitores. A distribuição da revista é feita de forma gratuita, em lojas parceiras e conta com uma tiragem mensal de 10 mil exemplares.

Saiba mais no site da Ragga

Texto de Miriane Barbosa e Tatiana Rodrigues

Sem rota

Postado por Tatiana Rodrigues | quinta-feira, julho 31, 2008 | 5 comentários »

Me guio sem norte, sem bússula e sem rumo.
Sem sorte aprendo a seguir instintos
Extinto qualquer forma de sabedoria racional
Sons e palavras descompassadas formam um trilho sem sentido

É um caminho sem destino, passos que não levam a um objetivo
É o impulso animal, o pulo do gato
É o nada que leva a lugar nenhum
O eu buscando o alguém
Encontrando ninguém.

O fascínio de uma torcida

Postado por Tatiana Rodrigues | segunda-feira, julho 14, 2008 | 10 comentários »


Não sou fã de esportes. Sempre fui péssima em tudo que envolve esforço físico e não sou das mais pacientes pra ver jogos na TV. Mas uma coisa me fascina de uma forma que ainda não sei como expressar: ir ao mineirão ver o galo jogar e ao mineirinho ver a seleção de vôlei.
Não vou entrar na questão de competências, vitórias ou perdas, até porque se fosse falar disso, não escolheria hoje, já que não nos demos muito bem no clássico futebolístico.
O objeto do meu fascínio e que me tira a concentração das próprias partidas é a torcida. Chega a ser mágico pessoas diferentes, com histórias e motivações distintas reunidas em uma só paixão. O grito uníssono de comemoração, raiva, motivação traduz o envolvimento de cada um ali com o mesmo objetivo: a vitória.
Me tira o fôlego ver a massa preta e branca fazendo a ôla e entoando o hino da nação alvinegra. Ou a torcida verde e amarela continuando a cantar o hino nacional ao parar o som e numa demonstração de patriotismo dizer "pátria amada Brasil".
Uma reunião de almas que encanta cada vez que presencio! Pra quem nunca teve o prazer de sentir essa emoção, recomendo que vá. Naquela listinha de três coisas que se deve fazer durante a vida (ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro), acrescento ir a um estágio de futebol ou a um ginásio ver a seleção. Garanto que é uma lembrança que será guardada por muito tempo.

Aurora

Postado por Tatiana Rodrigues | terça-feira, julho 01, 2008 | 12 comentários »


Estava estática.
Meus olhos não conseguiam acreditar no que viam, meu corpo não respondia a qualquer impulso e as palavras simplesmente não se libertavam de mim. Era a primeira vez que me sentia tão vulnerável e aquilo, estranhamente, não me incomodava. Pelo contrário, me sentia plenamente segura naquele lugar que eu nunca havia estado antes e com aquele ser, que jamais havia visto.
Não me lembro exatamente que lugar era esse, mas as cores ali, eram mais coloridas que em qualquer outro. Da voz daquele ser tão enigmático e sedutor, as palavras saiam como melodia: "confie em mim." Como poderia? nem o seu nome eu sabia, apenas o segui, como que por efeito de algum encanto. O fato é que confiava. O brilho dos olhos dele bastava para que eu pensasse em nada, apenas ficasse ali, quieta. Nunca fui do tipo aventureira, poderia considerar um acampamento com a escola, a coisa mais radical que já feito e no entanto ali estava eu, numa aventura que nem ao menos sabia o que significava. "O que fazemos aqui?" Finalmente consegui pronunciar algo, a voz falhava e não obtinha resposta. Senti a sua mão fria dele tocar a minha trêmula. Neste instante foi como se tudo o que já vivera antes fosse tão insignificante que sequer fazia parte da minha memória mais. As cores, tão presentes na minha lembrança daquele dia, ganharam formas, as mais lindas que poderia ter visto. Uma música parecia embalar aquela cena, era tudo tão perfeito que foi impossível segurar as lágrimas. Olhei para ele, o responsável pelo momento mais mágico que pude viver, o seu sorriso compunha o cenário e tudo que desejei foi eternizar aquele momento.

Acordei. E essas palavras, aqui registradas são a certeza que não me escapará jamais aquele sonho, que de real só tem a paz que me proporcionou.

Ahn?!

Postado por Tatiana Rodrigues | domingo, junho 22, 2008 | 12 comentários »

Hoje não quero ser eu. Vou me permitir ser quem quiser.
Criar uma imagem em cima de outras que me inspiram e me levariam a um outro fazer. Alías, minha própria mãe diz que sou do tipo que "espera a hora, ao invés de fazer acontecer", pois hoje me levarei a outra dimensão, em que fazer o quiser é a única das leis.
Enxergo-me "um tanto bem maior", não no sentido físico, apesar de realmente ser pequenina. Mas maior ao fazer a diferença, em não me "acomodar com o que incomoda" e não me retirar da luta sem vitória alcançada.
Serei a melodia de uma canção de Amarante, a magia proposta por Anitelli e a rebeldia de Buckley.
Terei o estilo peculiar de Amy e gritarei como Alanis.
Serei o fogo encantado presente em um Cordel e a doçura disfarçada numa voz feminina.

"Existe aqui uma mulher
uma bruxa, uma princesa
uma diva, que beleza
escolha o que quiser..."
Ana Canãs


Serão vários em mim e eu em ninguém.
Quem sou eu mesma???

Postado por Tatiana Rodrigues | sexta-feira, junho 20, 2008 | 10 comentários »


Hoje fui a uma premiação dos melhores plantadores de milho da região. Três horas tendo uma verdadeira aula sobre qual a melhor forma de plantio, quais os cuidados necessários para uma boa colheita e como combater as pragas. Claro que não achei isso divertido, alías, lutei diversas vezes contra o tédio e o sono que pesavam os meus olhos. Um senhor que se sentava ao meu lado, bem na primeira fileira, foi menos guerreiro, dormiu durante todas as paletras.

Cobria o meu primeiro evento como jornalista do jornal Observador, era inevitável me sentir importante ali, com roupinha de jornalista (me vesti estilo Patrícia Poeta heehe) , agenda na mão, máquina a postos para o melhor clique. Tá, o evento não era neem de longe algo que me interessava, mas quem disse que vida de jornalista é só festa no Ouro Minas ou no Palácio da Liberdade, não é mesmo?!

Durante as intermináveis horas de slides, "bom dia", "o bom agricultor deve saber", "e o vencedor é".. minha mente viajou em vários momentos. Imaginei como seria bom encontrar um filho de fazendeiro rico e bonito (é.. ficou só na imaginação), como seria acabar com as "pragas" que permanecem nas nossas vidas e até se me enriqueceria se plantasse uns milhos no jardim de casa. Desisti da idéia quando vi os prêmios para os melhores do ano: um troféu (em forma de...... milho, claro!), utensílios super master como, furadeira, maleta de ferramentas e um super estiloso boné dos patrocinadores!

Agora tentarei lembrar o que exatamente aconteceu ali para escrever a matéria que será publicada no jornal!
Espero que 99% dos leitores se interessem e entendam do assunto tanto quanto eu!

Mas antes, vou ali na cozinha comer um milho com sal! =) está servido??!!

Apenas mais uma

Postado por Tatiana Rodrigues | sexta-feira, junho 13, 2008 | 2 comentários »

O ar sufoca
o imprevisível não surpreende mais
as lembranças não confortam nem perturbam
O incessante se mostra mais finito do que deveria ser
Palavras
promessas
sussuros
escrita
o silêncio se faz a voz da vida
a omissão transmite a verdade
Real
idade
O sentido que não se tem tido
promessas
palavras
idade
e nada é real.

A mídia que nos faz ver

Postado por Tatiana Rodrigues | terça-feira, junho 03, 2008 | 1 comentários »

‘‘Isto aqui não é filme de ação, não (...) o show (...) é para o Brasil ver mesmo.

Não tenho nada a perder (...)’’

Sandro do Nascimento

O episódio que ficaria marcado como “seqüestro do ônibus 174”, ocorrido no dia 12 de junho, de 2000, no Rio de Janeiro, chocou toda população que pôde acompanhar em tempo real cada detalhe desse fato que marcou a história do país.

O documentário, dirigido por José Padilha, retrata as 4 horas de tensão de todos que presenciaram e se envolveram com o desespero das vítimas, a revolta do seqüestrador e a preocupação dos policiais para que tivesse o melhor desfecho possível. Além de mostrar relatos de envolvidos, ele contextualiza as cenas com informações sobre o Sandro do Nascimento, como por exemplo, que ele foi uma das vítimas da Chacina da Candelária em 1993, um dos motivos de sua revolta que por diversas vezes enfatizou durante o seqüestro.

A fala de Sandro sintetiza o espetáculo criado pela imprensa em torno do seqüestro do Ônibus 174. A transmissão ao vivo, para todo o país, apesar de registrar detalhes de toda aquela circunstância, não conseguiu transmitir para o espectador toda dramaticidade de quem estava ali. Com o documentário, José Padilha não só mostra isso, como também procura entender o que o levou àquele ato, analisando a vida do seqüestrador.

Diante da reação de Sandro, em se sentir no comando da situação, ficou evidente a influência da mídia, não só em sua atitude, como na dos policiais que não souberam controlar como deveriam aquele angustiante espetáculo. A presença da imprensa no local e os registros de cada ação naqueles momentos foram decisivos no rumo e na proporção que tomou o seqüestro. As câmeras serviram como um meio para o Sandro se mostrar para a sociedade que ignorava não só a ele, como também a centenas de pessoas que vivem à margem e não tem voz, nem vez. A mídia naquele momento se tornou uma janela aberta para ele, que estava acostumado com os limites das grades. Enquanto para ele toda aquela exposição servia como uma segurança, por saber que o BOPE não iria expor para milhares de pessoas cenas “fortes”, para o próprio batalhão da polícia aquilo era um entrave, limitando as suas ações, inclusive através de ordens superiores.

O modo como foi conduzido o seqüestro do primeiro instante em que as câmeras são ligadas até o seu desastroso e trágico desfecho, com a morte da refém Geisa Firmo e de seu algoz Sandro, deixou evidente o poder de interferência da mídia diante de fatos. As perguntas que prevaleceram em quem acompanhou essas horas de pânico ao vivo, ou em quem assistiu o documentário provavelmente são as mesmas: Se a imprensa não estivesse presente o seqüestro duraria tanto tempo? Sandro teria atirado nos reféns? A polícia teria atirado nele?

Questionamentos que ficaram sem respostas, mas que serviram para abrir os olhos de uma sociedade tão acostumada a se fechar e ignorar o que está em torno de todos. A televisão naquele dia mostrou um dramático episódio. O documentário detalhou uma realidade ainda mais drástica que atinge “Sandros” de todo Brasil: a omissão diante daqueles que precisam ser ouvidos e vistos.

Fases de uma lua

Postado por Tatiana Rodrigues | terça-feira, maio 27, 2008 | 2 comentários »

Sou uma lua.
Talvez com fases de ciclos ainda mais reduzidos e bem mais acentuadas que simples mudanças de "crescente" para "cheia".
Devo confessar que não é algo que me agrada e que cada transformação de fase é feita com tranquilidade e alegria.

Me encontro em um desses momentos que sinto dificuldade de expressar, aliás, de entender mesmo. Revejo como tenho guiado minha vida e sustentado as escolhas que faço (ou me fazem aceitarem) e o sentimento que mais me perturba é um desconforto. Não chego a uma conclusão que me satisfaça. O que realmente valeu a pena?

A efemeridade das coisas é um fato. Afinal se a própria vida é efêmera, os pequenos capítulos e personagens que a compõe só poderiam ser ainda mais. É. Não. Não me sinto conformada com essa simples constatação, até porque tempo é relativo e essa relatividade complica na minha vida. Qual o tempo necessário deve durar uma fase pra considerá-la válida?

Já ouvi de algumas pessoas que ousaram me definir que sou muito "razão". Não concordo. Desconheço alguém com tamanha capacidade de romantizar cenas, relações, decepções e tudo que envolveria uma típica comédia romântica. Não mais com príncipes e finais felizes (essa fase ficou pra trás há um bom tempo). Mas idealizo uma história mais duradoura do que as que tenho vivido ultimamente e que ao fim não me deixa com essa angustiante sensação de que não foi o bastante, que uma sequência estreiará em breve.

Não visualizo uma estréia tão breve. E não quero que seja breve.


Que dure o tempo necessário e que valha a pena.

Processo de modernização nos anos 70

Postado por Tatiana Rodrigues | terça-feira, maio 20, 2008 | 1 comentários »

A década de 70 foi uma época intensa no Brasil. O país que até então era visto como basicamente rural, se vê diante de um crescimento acelerado nas cidades. Grande número de pessoas se transfere para essas áreas onde se observará um processo de modernização nunca visto até então.

A ditadura militar pode ser considerada como responsável por esses avanços, uma vez que para “mascarar” os horrores da época, os militares viam nos elementos tecnológicos e produtos importados uma forma de encantar o povo e mantê-los alheios a todos os problemas sociais e econômicos pelos quais passava o país.

A chegada e popularização da televisão é um dos pontos mais marcantes dessa modernidade que “batia à porta” dos brasileiros, como mostrou o filme “Bye Bye Brasil” de Carlos Diegues.

Na produção, protagonizada por José Wilker, a “Caravana Rolidei”, uma espécie de circo itinerante, que percorre as cidades mais pobres do Brasil, se vê ameaçada pela chegada da televisão nessas populações, onde o povo, encantando com a novidade não tem olhos para suas apresentações.

A cada viagem uma nova e decepcionante surpresa. A caravana perdia de vez o seu espaço e o que se observava era a tomada pelo progresso. Índios perdendo suas identidades naturais e entregues ao mundo capitalista, a coca-cola conquistando o seu lugar, a floresta Amazônica sendo destruída em nome da “evolução”.

O filme é uma crítica clara a esse processo de modernização de forma irônica e até mesmo “escrachada” ao estilo “American Way of life” que estava nascendo na nação Tupiniquim.

Um trecho...

Postado por Tatiana Rodrigues | domingo, maio 04, 2008 | 1 comentários »

"Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo
Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar e te beijar de novo"
(Para relembrar um pouco do show - Nando Reis - N)

Estamos sempre na espera de algo como se o
presente nunca fosse o bastante e o futuro fosse nos saciar.
Fato que não acontece. É sempre a espera incessante de algo.
Mas que algo é esse?
Pois é, muitas vezes nem nós mesmos sabemos o que tanto esperamos que chegue.
Lutamos contra o tempo (o invencível) e mesmo nessa incansável e perdida luta não sabemos qual é o troféu tão almejado.
O tempo voa, as situações se modificam, os personagens são outros, os desejos mudam
mas as expectativas e dúvidas sempre permanecem.
É assim.. Sim!

Primeira entrevista - Celso Athayde

Postado por Tatiana Rodrigues | segunda-feira, abril 21, 2008 | 0 comentários »

Entrevista com o Celso Athayde, empresário do rapper MV Bill e produtor do documentário "Falcão- Meninos do Tráfico".

Tatiana - O que o mais chocou durante as filmagens do documentário "Falcão - Meninos do Tráfico"?

Athayde - Não sei exatamene o que mais chocou, mas certamente muitas coisas me chocaram nesses 8 anos de gravações, posso dizer aqui um fato que não sei se foi o mais chocante, mas é o que vem a minha cabeça agora. Foi quando estavamos em Porto alegre gravando um rapaz sobr uma lage , e seus desafetos chegaram, eu acreditava que seriamos mortos, mas só mataram o rapaz, nao havia como pedir, não havia como fugir e não dava tempo de rezar, só deu tempo de se arrepender por estar ali.. mas sobrevivemos, a guerra era só entre eles .

Tatiana- Na época em que o documentário foi exibido, em muitas entrevistas você e o MV Bill disseram que o principal objetivo do projeto era conscientizar a sociedade sobre essa realidade que muitos desconheciam ou preferiam não ver. Você considera que atingiram esse objetivo?
Athayde- certamene que sim, depois do falcão esse assunto jamais será trataddo da mesma forma. as soluções não dependem desse filme nem de nós, Bill e eu, mas certamene pautamos o Brasil como ninguém havia feito antes, e pode não parecer a olho nu, mas muitas ações tem sido realizadas a partir desse filme, infelizmente não podemos crer que é o suficiente devido a grandiosidade do problema .

Tatiana- Você acredita que a população estava preparada para receber aquelas imagens de maneira tão crua e real ?
Athayde- Não, acho que não está preparada para ver se quer novamente, vez aquelas imagens é tão doloroso como não saber o que fazer depis de vela-as.. as pessoas estão preparadas para ver e viver como planejado. Penso que apartir das chamadas da globo as pessoas se prepararam para assistir uma gerra , festa de violencia e salvas de tiros, mas não, apresentamos simplemente o sentimento dos jovens e suas desesperança. Para isso imagino que ninguém estava preparado, para lidar com o sentimento explicito de uma juventude perdida ... isso fez , faz e fará diferença. pois se não resolvermos e não direcionarmos esses jovens, estaremos inviabilizando o Brasil, e aí essa sociedade deve decidir qual o país que queremos ter ...

Tatiana-Você vê a arte como uma saída para mudar esse ambiente sociopolítico em que vive o país? Quais seriam outras soluções?
Athayde- a arte existe para mudar as vidas , os comportamentos e sobre tudo para mostrar para sempre novos caminhos e visões... a arte por si só é a grande revolução pessoal e coletiva. Mas as alternativas são muitas desde que todas passem pela educação, acredito que todas as foramas de evolução da humanidade pessa pela educação, não se terá jamais cidadania se vc é ignorante. se a educação é possivel, todas as outras manifestações estarão mais proximas da realidade

1980: A Década das Revoluções Por Minuto

Postado por Tatiana Rodrigues | quarta-feira, abril 09, 2008 | 3 comentários »



O Brasil vivia o fim do regime militar, mas as lembranças e conseqüências da dura década de 70 ainda se mantinham presentes na vida dos brasileiros. O desejo por uma real democracia consumia o país e movimentos em favor do direito de voto para eleição do Presidente da República ganhavam força. Aquela que ficaria marcada na história como uma das maiores manifestações de massa já existentes na nossa história, a “Diretas Já”, levou milhares de brasileiros às ruas, políticos aos palanques e a imprensa à tomar algum partido (ainda que isso tenha ocorrido, em sua maioria, depois que era evidente a dimensão do movimento e claro, de acordo com seus interesses próprios).
O povo, como que tirando de si o silêncio que o perturbou por anos, gritava com entusiasmo e a quem quisesse escutar: “Um, dois, três, quatro, cinco mil, queremos eleger o presidente do Brasil". Artistas da música popular brasileira mais uma vez se mostraram e com suas letras e canções criaram verdadeiros hinos, mobilizando e comovendo toda uma multidão, como Milton Nascimento, que em “Coração de Estudante” cantou: “Já podaram seus momentos/Desviaram seu destino/Seu sorriso de menino/Tantas vezes se escondeu/Mas renova-se a esperança/Nova aurora a cada dia/E há que se cuidar do broto/Pra que a vida nos dê flor e fruto”.
Chico Buarque de Holanda, que tanto se destacou por cantar à liberdade na época da repressão, aparece em 1984 vendo “a cidade a cantar a evolução da liberdade” e relembrando em “Vai Passar”: “Num tempo/ Página infeliz da nossa história/Passagem desbotada na memória/Das nossas novas gerações/Dormia/A nossa pátria mãe tão distraída/Sem perceber que era subtraída/ Em tenebrosas transações” as tristes marcas da ditadura.
No cenário musical brasileiro também ocorria suas revoluções. No início da década, a MPB ainda se fazia muito forte, o que impedia outros estilos ganharem confiança das gravadoras e alcançarem seus espaços nas rádios FM. Apesar disso surgia o que Nelson Mota batizaria de BROCK: o pop rock nacional.
Com músicas irreverentes e de variadas influências, bandas como a Blitz, formada por Lobão, Fernanda Abreu e Evandro Mesquita, tornaram-se grandes ícones da época, com sucessos como “Você não soube me Amar”. Junto a ela, uma banda liderada por um “rebelde sem causa”, filho do presidente da gravadora Som Livre revoluciona a música da época. Esse rebelde de classe média ficaria conhecido como o “poeta exagerado” Cazuza, e com seus amigos formaria uma das maiores bandas brasileiras, o Barão Vermelho.
Em 1985 acontecia o Rock in Rio. No dia da apresentação do Barão Vermelho, Tancredo Neves é eleito Presidente da República. Cazuza durante o evento anunciou esse fato antológico na história, e com a bandeira do Brasil cantou “Pro dia nascer feliz”, sendo um dos grandes momentos do evento daquele ano.
Bandas como Ultrage A Rigor, Camisa de Vênus e Titãs surgem com um rock satírico, mas que carregam letras com protestos e que retratam a política do momento. As bandas de Brasília, tendo como maior representante Renato Russo e a Legião Urbana chegam com o puro rock nas melodias e letras fortes. Porém, o grande sucesso da época acontece com o RPM e suas Revoluções por Minuto. Com recordes de vendas (3 milhões de discos), o trio se tornou uma das mais bem sucedidas bandas da história da música brasileira. “Rádio Pirata”, “Olhar 43” e “Alvorada Voraz” foram alguns de seus maiores hits, e Paulo Ricardo, vocalista do RPM, considerado um sex symbol da época.
Enquanto nas rádios o rock brasileiro já havia alcançado seu lugar, nas ruas do país o que se comemorava era a grande vitória do povo: Acontecia a primeira eleição direta para presidente da República após o longo período de Regime Militar. Fernando Collor de Mello era eleito. A pátria, que enfim respirava a democracia, se viu mal representada e a partir daí um novo capítulo da historia do Brasil era escrito.
Nossa história se encontra marcada em cada uma dessas revoluções (e por que não evoluções?) e nas músicas, que são registros eternos de uma época, de uma história que a cada dia é construída. E assim, tentamos responder a pergunta que um poeta do rock já nos fez certa vez: “Que país é esse?”.

Crônica do Amor (de Jabor)

Postado por Tatiana Rodrigues | sábado, abril 05, 2008 | 0 comentários »

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome. Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor? Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, ta assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso

Arnaldo Jabor