Ontem em mais uma das proveitosas conversas que costumo ter com minha amiga Aninha relembramos passagens de nossas vidas que muito nos marcaram e analisamos o efeito que tais lembranças têm sobre nós hoje. Voltamos dois, três anos e é engraçado pensar em cenas que tanto afetaram a minha vida e principalmente tiveram grande importância na formação da pessoa que sou hoje (pro bem ou pro mal) e ver que tudo é visto em uma proporção tão pequena. As imagens e diálogos que eram tão presentes em minha mente desde o momento em que aconteciam até me pôr a deitar no travesseiro, neste instante são tão remotas que preciso da minha fiel confidente para me ajudar a relembrar. Por mais que eu tente não consigo rever aquelas cenas na minha memória e sentir as emoções que senti quando aconteceram, o que em certo modo é bom. Mas até onde as memórias são fiéis à realidade? Em um momento acredito que lembranças e fantasias se misturam. Será mesmo que a intensidade supera o tempo? Ou será que o tempo muda as visões, os sentimentos e o que era intenso se torna superficial? Acho que não chegamos ao ponto de respondermos todas as interrogações, mas o fato é que é muito bom ter um porto seguro que guarda cada detalhe, que protege e está sempre junto nas aventuras que um dia se tornarão vagas, intensas, doces ou amargas lembranças.
A intensidade e o tempo
Postado por Tatiana Rodrigues | terça-feira, dezembro 30, 2008 | 2 comentários »"Todo sopro que apaga uma chama reacende o que for pra ficar"
Fernando Anitelii
Não sei se o sopro foi muito forte ou se a chama que era mais fraca do que eu desejava. O fato é que não sei exatamente o que se apagou e, principalmente, o que veio pra ficar. O que foi reaceso não se mostra tão às claras assim. Aguardo, não pacientemente, que a lamparina, suficientemente forte, me aqueça e me convença que o que achei que me aqueceria, não passava de fumaça.
vejo mais um ano se despedindo sem lágrimas e nem velas
Escrevo meus textos que madrugam e me fazem pernoitar
É o calendário chegando mais uma vez ao seu fim, trazendo consigo minhas férias
e minhas expectativas expressadas em palavras, numa tela LCD.
É a certeza do incerto que virá e a dúvida em relação ao que não é mais.
Tempo de exclamações ao relembrar o que foi bom
Tempo de reticências ao pensar no que poderia ter sido feito
Tempo de ponto final ao que não mereceria nem uma vírgula
Tempo de interrogações que se fazem acumular.
Tempo de sonhar!
Hora de dormir...
(zzzz)
Álbum de nostalgias
Postado por Tatiana Rodrigues | segunda-feira, setembro 08, 2008 | 6 comentários »Sinto saudades daquilo que não vivi, das pessoas que não conheci e dos momentos de sorrisos que me fizeram esquecer das lágrimas que insistiam em serem derramadas em minhas tristes faces. Sinto as emoções que me fizeram perder o fôlego em algum momento da minha vida, voltar em formato de nostalgia. Alimento-me disso e assim vou nessa caminhada sem destino certo. Como já disse Paulo Bonfim, “Passamos uma época de nossas vidas colecionando emoções, e outra, colecionando saudades”, lembrando dessa frase me questiono se tão nova já não me permito sentir tais “friozinhos na barriga” e me limito a apenas ser uma colecionadora de melancolias. Num ímpeto levanto-me da cama, aquecida pelo meu edredom cor-de-rosa e decido que há muito o que viver e não será olhando um álbum imaginário de recordações que irei completá-lo. Certa vez escutei uma frase, não sei bem onde, se foi em alguma música ou em conversas de ponto de ônibus, que era mais ou menos assim: “Amanhã é o primeiro dia do resto da minha vida” e hoje, nesse dia nublado, sem expectativa de luz e calor, essa frase me perturba em um ritmo descompassado. Irei fazer do pouco que me resta, uma história em cinza e branco ou encherei meu álbum com imagens de coloridos infinitos e lembranças ainda mais felizes? A partir do instante agora me torno grande, em pensamentos e ações, e como Aristóteles já deixou registrado: "A grandeza não consiste em receber honras, mas merecê-las” e com honras e merecimentos meu livro se fará completo.
Ragga - Informação não tem preço
Postado por Tatiana Rodrigues | quarta-feira, setembro 03, 2008 | 2 comentários »Uma nova maneira de fazer Jornalismo. Falar aos jovens, mudar o mundo.
As editoras do Caderno Ragga Drops e da Revista Ragga, Thaís Pacheco e Sabrina Abreu, enfatizam a interatividade existente entre o público e a equipe. Leitores não só sugerem pautas, mas também como colaboradores, participam das edições. A seção "Quem é Ragga" é muito procurada, pois as pessoas procuram se ver, nas coberturas de festas realizadas. E aqui, segundo Sabrina, "notícia boa, também é notícia".
A Revista utiliza de uma linguagem livre, direcionada aos jovens, podem expressar opiniões, porém, não deixam de ter o compromisso com a apuração. No caderno, possuem limitações, por este, estar inserido no Estado de Minas, jornal tradicional, de linguagem padrão. Independente de que meio estejam inseridos, a Ragga mantém a ideologia inicial de "Mudar o Mundo", através da informação.
O público-alvo do caderno Ragga Drops são adolescentes de 13 a 19 anos, já a Revista Ragga abrange dos 19 aos 35 anos. A revista é independente, mas conta com anunciantes de produtos que atendem às classes média e média-alta, seus principais leitores. A distribuição da revista é feita de forma gratuita, em lojas parceiras e conta com uma tiragem mensal de 10 mil exemplares.
Saiba mais no site da Ragga
Texto de Miriane Barbosa e Tatiana Rodrigues
Me guio sem norte, sem bússula e sem rumo.
Sem sorte aprendo a seguir instintos
Extinto qualquer forma de sabedoria racional
Sons e palavras descompassadas formam um trilho sem sentido
É um caminho sem destino, passos que não levam a um objetivo
É o impulso animal, o pulo do gato
É o nada que leva a lugar nenhum
O eu buscando o alguém
Encontrando ninguém.
O fascínio de uma torcida
Postado por Tatiana Rodrigues | segunda-feira, julho 14, 2008 | 10 comentários »Não vou entrar na questão de competências, vitórias ou perdas, até porque se fosse falar disso, não escolheria hoje, já que não nos demos muito bem no clássico futebolístico.
Me tira o fôlego ver a massa preta e branca fazendo a ôla e entoando o hin

Uma reunião de almas que encanta cada vez que presencio! Pra quem nunca teve o prazer de sentir essa emoção, recomendo que vá. Naquela listinha de três coisas que se deve fazer durante a vida (ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro), acrescento ir a um estágio de futebol ou a um ginásio ver a seleção. Garanto que é uma lembrança que será guardada por muito tempo.
Meus olhos não conseguiam acreditar no que viam, meu corpo não respondia a qualquer impulso e as palavras simplesmente não se libertavam de mim. Era a primeira vez que me sentia tão vulnerável e aquilo, estranhamente, não me incomodava. Pelo contrário, me sentia plenamente segura naquele lugar que eu nunca havia estado antes e com aquele ser, que jamais havia visto.
Não me lembro exatamente que lugar era esse, mas as cores ali, eram mais coloridas que em qualquer outro. Da voz daquele ser tão enigmático e sedutor, as palavras saiam como melodia: "confie em mim." Como poderia? nem o seu nome eu sabia, apenas o segui, como que por efeito de algum encanto. O fato é que confiava. O brilho dos olhos dele bastava para que eu pensasse em nada, apenas ficasse ali, quieta. Nunca fui do tipo aventureira, poderia considerar um acampamento com a escola, a coisa mais radical que já feito e no entanto ali estava eu, numa aventura que nem ao menos sabia o que significava. "O que fazemos aqui?" Finalmente consegui pronunciar algo, a voz falhava e não obtinha resposta. Senti a sua mão fria dele tocar a minha trêmula. Neste instante foi como se tudo o que já vivera antes fosse tão insignificante que sequer fazia parte da minha memória mais. As cores, tão presentes na minha lembrança daquele dia, ganharam formas, as mais lindas que poderia ter visto. Uma música parecia embalar aquela cena, era tudo tão perfeito que foi impossível segurar as lágrimas. Olhei para ele, o responsável pelo momento mais mágico que pude viver, o seu sorriso compunha o cenário e tudo que desejei foi eternizar aquele momento.
Acordei. E essas palavras, aqui registradas são a certeza que não me escapará jamais aquele sonho, que de real só tem a paz que me proporcionou.
Criar uma imagem em cima de outras que me inspiram e me levariam a um outro fazer. Alías, minha própria mãe diz que sou do tipo que "espera a hora, ao invés de fazer acontecer", pois hoje me levarei a outra dimensão, em que fazer o quiser é a única das leis.
Enxergo-me "um tanto bem maior", não no sentido físico, apesar de realmente ser pequenina. Mas maior ao fazer a diferença, em não me "acomodar com o que incomoda" e não me retirar da luta sem vitória alcançada.
Serei a melodia de uma canção de Amarante, a magia proposta por Anitelli e a rebeldia de Buckley.
Terei o estilo peculiar de Amy e gritarei como Alanis.
Serei o fogo encantado presente em um Cordel e a doçura disfarçada numa voz feminina.
"Existe aqui uma mulher
uma bruxa, uma princesa
uma diva, que beleza
escolha o que quiser..."
Ana Canãs
Serão vários em mim e eu em ninguém.
Quem sou eu mesma???
Cobria o meu primeiro evento como jornalista do jornal Observador, era inevitável me sentir importante ali, com roupinha de jornalista (me vesti estilo Patrícia Poeta heehe) , agenda na mão, máquina a postos para o melhor clique. Tá, o evento não era neem de longe algo que me interessava, mas quem disse que vida de jornalista é só festa no Ouro Minas ou no Palácio da Liberdade, não é mesmo?!
Durante as intermináveis horas de slides, "bom dia", "o bom agricultor deve saber", "e o vencedor é".. minha mente viajou em vários momentos. Imaginei como seria bom encontrar um filho de fazendeiro rico e bonito (é.. ficou só na imaginação), como seria acabar com as "pragas" que permanecem nas nossas vidas e até se me enriqueceria se plantasse uns milhos no jardim de casa. Desisti da idéia quando vi os prêmios para os melhores do ano: um troféu (em forma de...... milho, claro!), utensílios super master como, furadeira, maleta de ferramentas e um super estiloso boné dos patrocinadores!
Agora tentarei lembrar o que exatamente aconteceu ali para escrever a matéria que será publicada no jornal!
Espero que 99% dos leitores se interessem e entendam do assunto tanto quanto eu!
Mas antes, vou ali na cozinha comer um milho com sal! =) está servido??!!
O ar sufoca
o imprevisível não surpreende mais
as lembranças não confortam nem perturbam
O incessante se mostra mais finito do que deveria ser
Palavras
promessas
sussuros
escrita
o silêncio se faz a voz da vida
a omissão transmite a verdade
Real
idade
O sentido que não se tem tido
promessas
palavras
idade
e nada é real.
A mídia que nos faz ver
Postado por Tatiana Rodrigues | terça-feira, junho 03, 2008 | 1 comentários »‘‘Isto aqui não é filme de ação, não (...) o show (...) é para o Brasil ver mesmo.
Não tenho nada a perder (...)’’
Sandro do Nascimento
O episódio que ficaria marcado como “seqüestro do ônibus
O documentário, dirigido por José Padilha, retrata as 4 horas de tensão de todos que presenciaram e se envolveram com o desespero das vítimas, a revolta do seqüestrador e a preocupação dos policiais para que tivesse o melhor desfecho possível. Além de mostrar relatos de envolvidos, ele contextualiza as cenas com informações sobre o Sandro do Nascimento, como por exemplo, que ele foi uma das vítimas da Chacina da Candelária em 1993, um dos motivos de sua revolta que por diversas vezes enfatizou durante o seqüestro.
A fala de Sandro sintetiza o espetáculo criado pela imprensa em torno do seqüestro do Ônibus
Diante da reação de Sandro, em se sentir no comando da situação, ficou evidente a influência da mídia, não só em sua atitude, como na dos policiais que não souberam controlar como deveriam aquele angustiante espetáculo. A presença da imprensa no local e os registros de cada ação naqueles momentos foram decisivos no rumo e na proporção que tomou o seqüestro. As câmeras serviram como um meio para o Sandro se mostrar para a sociedade que ignorava não só a ele, como também a centenas de pessoas que vivem à margem e não tem voz, nem vez. A mídia naquele momento se tornou uma janela aberta para ele, que estava acostumado com os limites das grades. Enquanto para ele toda aquela exposição servia como uma segurança, por saber que o BOPE não iria expor para milhares de pessoas cenas “fortes”, para o próprio batalhão da polícia aquilo era um entrave, limitando as suas ações, inclusive através de ordens superiores.
O modo como foi conduzido o seqüestro do primeiro instante em que as câmeras são ligadas até o seu desastroso e trágico desfecho, com a morte da refém Geisa Firmo e de seu algoz Sandro, deixou evidente o poder de interferência da mídia diante de fatos. As perguntas que prevaleceram em quem acompanhou essas horas de pânico ao vivo, ou em quem assistiu o documentário provavelmente são as mesmas: Se a imprensa não estivesse presente o seqüestro duraria tanto tempo? Sandro teria atirado nos reféns? A polícia teria atirado nele?
Questionamentos que ficaram sem respostas, mas que serviram para abrir os olhos de uma sociedade tão acostumada a se fechar e ignorar o que está em torno de todos. A televisão naquele dia mostrou um dramático episódio. O documentário detalhou uma realidade ainda mais drástica que atinge “Sandros” de todo Brasil: a omissão diante daqueles que precisam ser ouvidos e vistos.

Talvez com fases de ciclos ainda mais reduzidos e bem mais acentuadas que simples mudanças de "crescente" para "cheia".
Devo confessar que não é algo que me agrada e que cada transformação de fase é feita com tranquilidade e alegria.
Me encontro em um desses momentos que sinto dificuldade de expressar, aliás, de entender mesmo. Revejo como tenho guiado minha vida e sustentado as escolhas que faço (ou me fazem aceitarem) e o sentimento que mais me perturba é um desconforto. Não chego a uma conclusão que me satisfaça. O que realmente valeu a pena?
A efemeridade das coisas é um fato. Afinal se a própria vida é efêmera, os pequenos capítulos e personagens que a compõe só poderiam ser ainda mais. É. Não. Não me sinto conformada com essa simples constatação, até porque tempo é relativo e essa relatividade complica na minha vida. Qual o tempo necessário deve durar uma fase pra considerá-la válida?
Já ouvi de algumas pessoas que ousaram me definir que sou muito "razão". Não concordo. Desconheço alguém com tamanha capacidade de romantizar cenas, relações, decepções e tudo que envolveria uma típica comédia romântica. Não mais com príncipes e finais felizes (essa fase ficou pra trás há um bom tempo). Mas idealizo uma história mais duradoura do que as que tenho vivido ultimamente e que ao fim não me deixa com essa angustiante sensação de que não foi o bastante, que uma sequência estreiará em breve.
Não visualizo uma estréia tão breve. E não quero que seja breve.
Que dure o tempo necessário e que valha a pena.
Processo de modernização nos anos 70
Postado por Tatiana Rodrigues | terça-feira, maio 20, 2008 | 1 comentários »A década de 70 foi uma época intensa no Brasil. O país que até então era visto como basicamente rural, se vê diante de um crescimento acelerado nas cidades. Grande número de pessoas se transfere para essas áreas onde se observará um processo de modernização nunca visto até então.
A ditadura militar pode ser considerada como responsável por esses avanços, uma vez que para “mascarar” os horrores da época, os militares viam nos elementos tecnológicos e produtos importados uma forma de encantar o povo e mantê-los alheios a todos os problemas sociais e econômicos pelos quais passava o país.
A chegada e popularização da televisão é um dos pontos mais marcantes dessa modernidade que “batia à porta” dos brasileiros, como mostrou o filme “Bye Bye Brasil” de Carlos Diegues.
Na produção, protagonizada por José Wilker, a “Caravana Rolidei”, uma espécie de circo itinerante, que percorre as cidades mais pobres do Brasil, se vê ameaçada pela chegada da televisão nessas populações, onde o povo, encantando com a novidade não tem olhos para suas apresentações.
A cada viagem uma nova e decepcionante surpresa. A caravana perdia de vez o seu espaço e o que se observava era a tomada pelo progresso. Índios perdendo suas identidades naturais e entregues ao mundo capitalista, a coca-cola conquistando o seu lugar, a floresta Amazônica sendo destruída em nome da “evolução”.
O filme é uma crítica clara a esse processo de modernização de forma irônica e até mesmo “escrachada” ao estilo “American Way of life” que estava nascendo na nação Tupiniquim.
"Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo
Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar e te beijar de novo"
(Para relembrar um pouco do show - Nando Reis - N)
Estamos sempre na espera de algo como se o
presente nunca fosse o bastante e o futuro fosse nos saciar.
Fato que não acontece. É sempre a espera incessante de algo.
Mas que algo é esse?
Pois é, muitas vezes nem nós mesmos sabemos o que tanto esperamos que chegue.
Lutamos contra o tempo (o invencível) e mesmo nessa incansável e perdida luta não sabemos qual é o troféu tão almejado.
O tempo voa, as situações se modificam, os personagens são outros, os desejos mudam
mas as expectativas e dúvidas sempre permanecem.
É assim.. Sim!
Primeira entrevista - Celso Athayde
Postado por Tatiana Rodrigues | segunda-feira, abril 21, 2008 | 0 comentários »Entrevista com o Celso Athayde, empresário do rapper MV Bill e produtor do documentário "Falcão- Meninos do Tráfico".
Tatiana - O que o mais chocou durante as filmagens do documentário "Falcão - Meninos do Tráfico"?
Tatiana- Na época em que o documentário foi exibido, em muitas entrevistas você e o MV Bill disseram que o principal objetivo do projeto era conscientizar a sociedade sobre essa realidade que muitos desconheciam ou preferiam não ver. Você considera que atingiram esse objetivo?
Tatiana- Você acredita que a população estava preparada para receber aquelas imagens de maneira tão crua e real ?
Tatiana-Você vê a arte como uma saída para mudar esse ambiente sociopolítico em que vive o país? Quais seriam outras soluções?
1980: A Década das Revoluções Por Minuto
Postado por Tatiana Rodrigues | quarta-feira, abril 09, 2008 | 3 comentários »
O povo, como que tirando de si o silêncio que o perturbou por anos, gritava com entusiasmo e a quem quisesse escutar: “Um, dois, três, quatro, cinco mil, queremos eleger o presidente do Brasil". Artistas da música popular brasileira mais uma vez se mostraram e com suas letras e canções criaram verdadeiros hinos, mobilizando e comovendo toda uma multidão, como Milton Nascimento, que em “Coração de Estudante” cantou: “Já podaram seus momentos/Desviaram seu destino/Seu sorriso de menino/Tantas vezes se escondeu/Mas renova-se a esperança/Nova aurora a cada dia/E há que se cuidar do broto/Pra que a vida nos dê flor e fruto”.
Chico Buarque de Holanda, que tanto se destacou por cantar à liberdade na época da repressão, aparece em 1984 vendo “a cidade a cantar a evolução da liberdade” e relembrando em “Vai Passar”: “Num tempo/ Página infeliz da nossa história/Passagem desbotada na memória/Das nossas novas gerações/Dormia/A nossa pátria mãe tão distraída/Sem perceber que era subtraída/ Em tenebrosas transações” as tristes marcas da ditadura.
No cenário musical brasileiro também ocorria suas revoluções. No início da década, a MPB ainda se fazia muito forte, o que impedia outros estilos ganharem confiança das gravadoras e alcançarem seus espaços nas rádios FM. Apesar disso surgia o que Nelson Mota batizaria de BROCK: o pop rock nacional.
Com músicas irreverentes e de variadas influências, bandas como a Blitz, formada por Lobão, Fernanda Abreu e Evandro Mesquita, tornaram-se grandes ícones da época, com sucessos como “Você não soube me Amar”. Junto a ela, uma banda liderada por um “rebelde sem causa”, filho do presidente da gravadora Som Livre revoluciona a música da época. Esse rebelde de classe média ficaria conhecido como o “poeta exagerado” Cazuza, e com seus amigos formaria uma das maiores bandas brasileiras, o Barão Vermelho.

Em 1985 acontecia o Rock in Rio. No dia da apresentação do Barão Vermelho, Tancredo Neves é eleito Presidente da República. Cazuza durante o evento anunciou esse fato antológico na história, e com a bandeira do Brasil cantou “Pro dia nascer feliz”, sendo um dos grandes momentos do evento daquele ano.
Bandas como Ultrage A Rigor, Camisa de Vênus e Titãs surgem com um rock satírico, mas que carregam letras com protestos e que retratam a política do momento. As bandas de Brasília, tendo como maior representante Renato Russo e a Legião Urbana chegam com o puro rock nas melodias e letras fortes. Porém, o grande sucesso da época acontece com o RPM e suas Revoluções por Minuto. Com recordes de vendas (3 milhões de discos), o trio se tornou uma das mais bem sucedidas bandas da história da música brasileira. “Rádio Pirata”, “Olhar 43” e “Alvorada Voraz” foram alguns de seus maiores hits, e Paulo Ricardo, vocalista do RPM, considerado um sex symbol da época.
Enquanto nas rádios o rock brasileiro já havia alcançado seu lugar, nas ruas do país o que se comemorava era a grande vitória do povo: Acontecia a primeira eleição direta para presidente da República após o longo período de Regime Militar. Fernando Collor de Mello era eleito. A pátria, que enfim respirava a democracia, se viu mal representada e a partir daí um novo capítulo da historia do Brasil era escrito.
Nossa história se encontra marcada em cada uma dessas revoluções (e por que não evoluções?) e nas músicas, que são registros eternos de uma época, de uma história que a cada dia é construída. E assim, tentamos responder a pergunta que um poeta do rock já nos fez certa vez: “Que país é esse?”.
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome. Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor? Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, ta assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso
Arnaldo Jabor
A década de 70 ficaria conhecida como os “anos rebeldes” e não é sem razão.
No cenário mundial ocorriam diversos fatos que marcariam a história mundial: a guerra do Vietnã, a crise do petróleo e o início da Guerra Fria.
No Brasil, sentíamos as conseqüências do Golpe de 64 e o seu Ato institucional n.º 5. Época de tensão no país. Vivíamos a era da ditadura militar, onde prevalecia o regime de “linha dura” com censuras e torturas psicológicas e físicas.
Diante dessa situação surgiam protestos de todas as partes. Estudantes, professores, músicos e artistas plásticos não se calavam diante das calamidades que presenciavam, e em nome da pátria e de suas ideologias se viam

Como nada passava despercebido pelos “donos do poder”, as repressões vinham das piores maneiras possíveis. Os revolucionários tiveram suas vidas devastadas. As mais cruéis formas de torturas foram usadas, foram obrigados a se despedirem da terra que tanto amavam e partir para o exílio. Famílias perderam contato com seus filhos e sofreram com a dor de não vê-los mais.
Os chamados subversivos contrariavam a lei e a ordem, expondo sem medo suas contrariedades; e através da palavra lutavam por mudanças. Universitários se manifestavam dos diretórios das universidades, os jornalistas em jornais alternativos como o “Pasquim” e os músicos através de suas letras.
Nesse espírito revolucionário surgiam os Festivais de Música, palco da arte e alicerce dos grandes nomes musicais da época.
Exibidos pela Rede Record, os festivais foram grandes sucessos na época. Um espaço em que os artistas passavam suas mensagens para o público, protestando contra tudo e contra todos de forma direta ou através de mensagens subliminares.
Artistas como o compositor intelectual de classe média Chico Buarque e o poeta-cantor nordestino Geraldo Vandré se destacaram no II Festival de música popular brasileira, em 1966, os dois dividindo o primeiro lugar. Chico ganhando pela música “A Banda”, que continha em sua letra mensagens como “Mas para meu desencanto o que era doce acabou/ tudo tomou seu lugar depois que a banda passou/ E cada qual no seu canto/Em cada canto uma dor” e Vandré pela canção “Disparada”, que foi interpretada por Jair Rodrigues, que em seus versos dizia “Mas o mundo foi rodando/ Nas patas do meu cavalo/ E já que um dia montei/ Agora sou cavaleiro/ Laço firme, braço forte/Num reino que não tem rei”.
O público não interpretou “A Banda” como mensagem de protesto e vaiou quando recebeu o prêmio. Como Chico Buarque utiliza do lirismo em suas letras, o povo não identificou o sentido real da música. Já Vandré usa de uma crítica direta a todo sistema, e devido a isso, agradou mais.
1970, a década do “tudo é proibido”, também criou a geração mais engajada com a política e com os problemas sociais de “um reino que não tem rei” (Disparada – Vandré). Hinos de uma época e que custaram tanto a seus criadores revolucionários não poderiam deixar de ser citados. Temos o próprio Chico que cantou aos ditadores: “apesar de você amanhã será outro dia” e Vandré, que para não dizerem que não falou das flores, pediu: “vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”
Esses gênios não foram cantantes solitários na busca pela liberdade. Elis clamou pela volta “do irmão do Henfil”, o Betinho, que foi exilado, na música “O bêbado e o equilibrista” e ainda diz que “choram Marias e Clarisses no solo do Brasil”, falando claramente da dor de brasileiras que perdem seus filhos e maridos. Caetano Veloso e os Mutantes gritaram que “É proibido proibir” e tantos outros não se calaram.
Militantes da paz e exemplos de patriotismo, essas pessoas afastaram o “cálice” e fizeram a história. Denunciaram e transformaram em melodias, dor e sofrimento que para sempre ficarão marcadas a sangue e lágrima na memória do Brasil.
Eles morreram pela pátria, mas na viveram sem razão.
Ela não viveu muito.
Mas tem recordações de épocas remotas.
Loucuras proibidas que em um cubo branco-gelo se permitia libertar.
Lágrimas escorreram em sua face, ainda jovem, quando sentiu pela primeira vez sentimentos que lhe eram desconhecidos até então.
Reergueu-se quando por um tempo se viu por baixo.
Perdeu-se diante de dúvidas.
Em um mundo antigo para si, se redescobriu. E ao som do puro rock se reinventou.
Viveu o desconhecido e relembrou o esquecido.
E esse instante presente, logo passado se fez.
O encanto da meia noite, pela avenida atravessou e se desfez.
Ao mundo real retornou.
Lição para toda uma vida aprendeu.
Uma precoce perda que não se faz medir.
Aprendizados e saudades.
Época de turbulências passou.
A calmaria veio com toda sua tranqüilidade e um arco-íris tudo coloriu.
Agora, ela vive por seguir as luzes do arco de infinitas cores e vai ao encontro
Do pote de ouro.
E nesse caminho histórias vão se formando...
“E o fim é belo e incerto”...
Para ela e todos nós.

Quero poemas e canções
ser musa e composição
A palavra que floresce no instante seguinte
ao mais belo sorriso.
Quero ser o sonho e a esperança que a cada amanhecer
se torna o motivo pra seguir.
Quero ser o abraço que acolhe e o beijo que sacia.
O ombro que conforta e o suor que liberta.
Quero a metade que não tenho, a que não sou e a que busco.
Quero ser o reencontro que acalma a saudade e a lembrança do
momento que espera que se repita.
Quero ser a sensação mais pura e o desejo que inquieta.
Querer me perder e me encontrar.
Em mim.
Em ti.
o mundo é uma esfinge
Postado por Tatiana Rodrigues | terça-feira, fevereiro 26, 2008 | 1 comentários »"Esse mundo é feito de mentira.
Por que tantas incógnitas, senhas e cadeados se seria tão mais fácil deixar as portas abertas e com um sorriso nos lábios dar as boas vindas à imensidão de surpresas que ele nos reserva?
Decifra-me e devora-me.
Nostalgia pós carnaval
Postado por Tatiana Rodrigues | sexta-feira, fevereiro 08, 2008 | 2 comentários »Carnaval passa pela avenida, faz sua festa, vai embora e deixa uma imensa nostalgia.

Um imenso vazio com gostinho de querer mais. Deixa lembranças que na câmera lenta da memória parece um filme em cores variadas. Confetes e serpentinas no salão fazendo os efeitos especiais. E como trilha sonora sambas e marchinhas: "diga espelho meu se há na avenida alguém mais feliz que eu!"
ahhh... quem não tem um longa ou curta metragem desses gravada na memória interna (e eterna, por que não?!). Como todo o ano, o carnaval vai com suas cores e nos deixa o cinza. Afinal, todo carnaval tem seu fim!
Meu álbum de recordações cada ano completa uma página, e mais uma vez essa época garante coloridos e sorrisos ao relembrá-la!
aahh.. o carnaval! apesar dos pesares que o marcaram tão tragicamente, deixará saudades!
"Prepare a avenida...
Postado por Tatiana Rodrigues | sexta-feira, janeiro 25, 2008 | 0 comentários »que a gente vai passar.."
Começa o tempo de folia
das cores e da mistura de tribos
Onde nada é o que parece ser.
Quando uns se perdem e muitos se encontram.
Quando há libertação de pudores
e personalidades encobertas por máscaras e fantasias.
É tempo de serpentinas, bailarinas e pierrôs
É tempo de carnaval.
Carnaval - Nação Zumbi
Já apertaram o botão da folia
Terreno de alegoria maior
E as avenidas já fervendo suadas
Que gigante tentação enfeitada
Multi-cor/ Ultra-som
Multi-cor/ Ultra-som
Carnaval vem sempre
Vai tremer a terra
Pra tremer a terra
Carnaval vem sempre
E no meio de tudo
Seu pecado lhe encontra
Solto na buraqueira Olinda-Recife
De ponte pula
Sobe e desce ladeira
Sem cair/ mestre-chão
Sem cair/ mestre-chão